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domingo, 22 de julho de 2012

A guerra

Todos os dias quando acordo
uma nova e velha batalha se inicia
sou eu contra uma folha de papel, em branco.

Minha escrivaninha é minha trincheira
meu inimigo é tão audacioso que vem de peito aberto
conhecedor que é dos meus medos.

As batalhas incessantes já me fazem cansado
todo dia as mesmas feridas sangram
sangram em negra tinta de caneta.

Tantas batalhas já perdi que nem me lembro
tanto já sangrei que já não sei de onde vem
a força que mantém minha caneta me punho...

Na guerra das palavras quem será o vencedor?
eu? mísero soldado da poesia do amor cansado
a folha em branco, que tantos como eu já desgraçou?

Que sorte tiveram meus irmãos sobreviventes dessa guerra
Estes que hoje são meus heróis, imortais, meu consolo
que velem por mim soldado da poesia errante.

A minha guerra é contra a folha em branco
a minha arma é uma caneta que projeta palavras,
e que hoje falhou.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Elegia de gaveta

Esses versos, essas palavras
eu ofereço às traças.
Que o amarelo do papel,
a tanto esquecido nessa gaveta,
sirva-lhes de nutriente.
Que a tinta desbotada da minha caneta
seja-lhes doce ao paladar.
Que corroam meu papel e minha escrita
já que não podem correr-me as entranhas
e tão pouco livrar-me da dor que essas palavras não ditas me causam.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Onde eu quero estar

Ainda não sei qual o meu lugar no mundo,
tão pouco encontrei o meu lugar ao Sol...
Mas tenho o meu lugar no seu abraço
e pra mim tá tudo certo.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Noite de Natal

Banhou-se, perfumou-se, vestiu-se... e pintou a cara
como criança que coloria as asas de uma borboleta.

Usou tons de dourado nos olhos - disse que era pra iluminar.

A meia-noite sentada no canto ao lado do pinheiro de Natal
fitava as luzes amareladas como quem olha o pôr-do-sol, distante.

Pisca-pisca disfarçando, controlando as lágrimas para não borrar o rosto
mas maquiagem nenhuma disfarça a tristeza moça...

Nada te enfeita ou te embeleza mais do que o sorriso no rosto
nada me fascina mais.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Qualquer coisa

Eu era qualquer coisa imaginada
qualquer coisa que só tinha espaço
para existir na imaginação, no sonho...
Como vento ele não segurava
me levava no pensamento
como o ar que se leva no peito...
Eu podia estar ali sempre
mas ele nem se dava conta de mim
era como uma ideia boba, um devaneio...
Qualquer coisa, qualquer notícia na TV
e eu já me desfazia, dispersava como poeira no ar
como a distração que se distrai...

sábado, 18 de junho de 2011

Por água abaixo

Rio, me sinto transbordar
choro, me deixo inundar

Submerso em mim
poço de sentimentalidades

Já à beira do afogamento
me sinto emergir

E então, vem a seca
e a sede.

sábado, 14 de maio de 2011

Godsend¹

Num pequeno coração
em veludo vermelho
me veio um tesouro.

Não era ouro, nem prata
mas preciso e cobiçado
como se o fosse.

Na simplicidade do objeto
que reproduzia algo indestrutível
como diamante de verdade.

Nesse pequeno coração
me veio um amor
forte e generoso.

Na imensidão de significados
do objeto, o principal:
a aliança.

No elo que se criou
uma amizade preciosa de
sorrisos que não se vêem.

Nos dias e noites
as horas passadas juntas
e separadas.

Na distância geográfica
a sensação de proximidade
que não precisa de explicação.

No coração vermelho
o objeto que simboliza
um elo, precioso e raro.

Na minha vida um tesouro
que guardarei a sete chaves
o Meu Bem mais valioso.

Na nossa amizade
o seu carinho e amor
você, Meu Bem mais precioso.

¹Godsend, do inglês "Dádiva do céu".

segunda-feira, 21 de março de 2011

Meu Jardim

Olhava pro jardim da vida e nele via um deserto
onde as sementes jogadas não germinam.

Nenhuma flor de futuro brotara, nenhuma árvore
pra lhe oferecer abrigo ou conforto... nem raízes sequer tinha

O que se via era um vazio uma imensidão sem cor,
uma imensidão de tristeza

Um vazio ocupado por ares de incertezas
tão denso que quase se podia segurar nas mãos

As poucas vezes que se via um vestígio qualquer de luz se enchia de alegria
como criança que sorri com as cores que cintilam na poeira

Nesses raros se via cor nesse jardim, eram as cores dele,
um amor-perfeito nascido no meio do caos

Matava a sua sede bebendo das próprias lágrimas
se alimentava das suas próprias entranhas, esperanças

Sozinha em meio à esse jardim de nada ela segue
frágil, por vezes quase se vai na escuridão

Com uma meia força ela ainda persiste
na esperança de ter dias de sol...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Umas coisas e mais

Um sensação de paralisia me invade
começa com as palavras que me faltam a boca
se irradia pelos braços sem abraço e mãos sem carinho
descem pela espinha como um arrepio frio
chegam às pernas que não conseguem correr

Uma necessidade de fuga me invade
começa com as palavras que não digo
se irradia pelos abraços e carinhos que não faço
descem pela espinha como um calor que nego sentir
chegam as pernas que correm de mim e já não sinto ter

Uma necessidade de ter você me invade
começa com as palavras que eu ouço
se irradia pelos braços fortes que vez em quando se encostam nos meus
desce pela espinha num quente e frio que eu não entendo
chegam as pernas que tremem.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Presente de aniversário

Se a minha boca falar por mim,
ela dirá que quer a sua boca
o seu sorriso se desfazendo para ser um beijo.
Se a minha pele falar por mim,
ela dirá que quera sua pele,
o seu calor, o seu abraço.
Se o meu coração falar por mim,
ele dirá que quer o seu coração,
que o quer pulsando por mim.
Se a minha razão falar por mim,
ela dirá que quer um jeito de tirar você do sério,
que quer te enlouquecer.

E aí vem uma voz na minha cabeça e diz
que eu estou querendo muito.

sábado, 30 de outubro de 2010

A tempestade

Ele vem nervoso,voraz como os ventos de uma tempestade
sua presença sombria me envolve como ar.
Cada pedaço de mim é dominado por esse caos intempestivo
e ao mesmo tempo tão desejado...
Nessas noites a lua se esconde como uma menina casta,
amedrontada na sua primeira vez com um homem.
Minha pele pálida em contraste com a imensidão negro-azulada do céu
meus medos e meus desejos se confundem, se fundem
queria fugir mas não há pra onde ir.
E ele uiva lá fora, uiva de sede... e assobia, assobia de prazer
a noite não é estrelada, é a noite da emboscada.
As cortinas se debatem, se levantam, é ele quem chegou
com ele vem um pavor, um ardor que me faz transpirar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Enquanto você dorme

Enquanto você dorme, fico de olhando..
dizendo coisas baixinho, pertinho do seu ouvido...
Enquanto você dorme, fico te acariciando..
querendo zelar teu sono, te proteger da noite...
Enquanto você dorme, te dou um beijo com carinho afago seus cabelos..
e te digo: Boa Noite!
Enquanto você dorme, saio de fininho com o coração apertado..
deixando algo para trás...
Enquanto você dorme, chego no meu canto e por te amar tanto..
te escrevo estes poemas...
Enquanto você dorme, me deito em minha cama..
e o pensamento voa longe, pra perto de você...
E o cansaço vem chegando, cerro meus olhos para dormir..
pois quero me juntar a você...
Enquanto você dorme.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Carmim

E os meus lábios desbotam
perdem a cor carmim
ao mesmo tempo
em que a pele
desnuda dele
vai se colorindo
se estampando
de beijos num
degradê de
vermelhos

intensos.

sábado, 26 de junho de 2010

Boca

Que faminta me consome

Quando louca me lambe

Preguiçosamente me sorve

Quando fala me sorri

Que beijando me cala.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Do desengado

Das noites de amor que imaginei
já não resta nada.
Da idéia de nossos corpos nus
fadigados sob os lençóis.
Dos lençóis molhados de prazer,
prazer que só tive sozinha.
Nos meus lençóis secos e frios
hoje eu descanso, durmo e sonho.
Com alguém que já não é você,
pois de ti nada resta em mim.

Nada.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Da mobília

Nós dois juntos
naquela cama
velha e pequena
como se fossemos um beliche
criados-mudos mudos
entreolhando-se
rangendo as palavras
que não ousamos dizer
e das paredes do quarto
rock stars assistiam
a nova versão nova
de uma velha história.

domingo, 1 de novembro de 2009

Da posse

_Minha.
_Sua...?
_Somente minha.

   (silêncio)

_Sua somente e para sempre.

domingo, 27 de setembro de 2009

Do desabafo

Quando a calma não te segura
e sai da garganta a voz áspera
Irrompa, discurse amarguras
desabafe.

sábado, 12 de setembro de 2009

Do fim

E eu lhe disse Adeus e saí
saí; pra tua vida.

Da tolice

Me surpreendo ao perceber que gestos e frases tão banais
me deixam incrivelmente feliz.